Turbulência é algo corriqueiro e acontece praticamente em todos os voos de avião, mas saiba que raramente elas são perigosas como imaginamos

Em entrevista, o piloto da KLM, Menno Kroon, explica os motivos pelos quais elas ocorrem e por qual razão não precisamos ter tanto medo assim. Ele é piloto profissional desde 1990, são quase três décadas cruzando diferentes destinos do mundo e milhares de voos bem sucedidos.

Atire a primeira pedra quem nunca ficou com as mãos suando durante uma turbulência. Essa “tremedeira” – extremamente comum durante os voos – está presente em praticamente todas as viagens, mas em alguns trechos, essa sensação pode ser ainda mais aterrorizante. Os aviões que fazem voos domésticos costumam ser mais estáveis, mas quem já fez voo em aeronaves de médio e pequeno porte, sabe que a sensação de fragilidade é ainda mais comum nessas modalidades da aviação.

Apesar da estabilidade, o medo está presente e parece tomar ainda mais força quando estamos a cerca de 11 mil metros de altitude. E, mesmo sem ter muito o que fazer nessas horas, a sensação de desconforto é inevitável. De qualquer maneira, para tranquilizar você, trouxemos alguns dados importantes sobre o maior pesadelo das viagens aéreas. Entenda como funcionam as turbulências e lide melhor com esse receio.

Veja os motivos que causam turbulências


Por causa dos ventos

Existe uma diferença entre turbulências de altitudes elevadas e baixas altitudes. As turbulências mais próximas ao solo, podem ser causadas por ventos carregados ou correntes de ar que podem desestabilizar a tranquilidade a bordo.

Apesar de ser um problema, principalmente na hora da decolagem ou pouso, todos os profissionais presentes no voo sabem muito bem lidar com esses momentos: isso não é nenhuma novidade no mundo da aviação profissional. Os treinamentos são rigorosos para tranquilizar toda a staff nesses momentos cruciais.

Por causa do ar ascendente

Antigamente, quando os voos não tinham cabines pressurizadas, os pilotos eram orientados a voar em altitudes mais baixas, onde as turbulências acabavam sendo mais frequentes.

Recentemente, depois do avanço da tecnologia aérea, esse problema foi reduzido drasticamente. Em altitudes mais elevadas, as turbulências aparecem quando o ar sobe verticalmente – de baixo para cima. Nesses casos, o sol esquenta a terra e o ar acima dela. O ar quente tem a tendência de aumentar e subir, causando um fenômeno chamado de updraft, conhecido também como ar ascendente.

Quando o ar sobe ainda mais, a umidade começa a ser formada, criando nuvens. Com isso, é mais fácil detectar as zonas de turbulência, pois além da janela da cabine de comando, ela também fica visível nos radares meteorológicos.

Agora se o ar ascendente estiver muito seco, não ocorre a condensação típica, dificultando a visibilidade dessas áreas. Esse segundo fenômeno é conhecido no mundo da aviação como clear-air turbulence, ou seja, uma turbulência sem nuvens e com maior dificuldade de ser detectada.

Turbulência causada por correntes de jato

Uma outra razão pela qual aparecem turbulências, são os jatos de ar que circulam pelo céu, essas correntes de vento são encontradas em altitudes elevadas, atingindo uma velocidade de mais de 300 km/h. No hemisfério Norte, esses ventos são mais comuns nas direções do Oeste para o Leste.

Isso também altera a velocidade dos voos, por exemplo, a viagem se torna mais lenta voando de Amsterdã pelo Oceano Atlântico, até os destinos da América do Norte. No caminho contrário isso não acontece da mesma maneira.

Uma das soluções encontrada pelos pilotos de avião, é evitar esses jatos de ar, pois isso pode significar voar contra o vento. Em alguns casos, por exemplo no trecho Nova York x Amsterdã, a viagem pode levar até duas horas a menos do que o trajeto oposto.

O problema disso é que a corrente de jato pode alterar a direção repentinamente quando encontra áreas de alta ou baixa pressão. Essas turbulências seguem a mesma lógica que ocorre com as correntezas dos rios.

Turbulência próxima de montanhas

Em alguns casos, quando o trajeto passa próximo de montanhas mais altas, o sentido do ar pode ser direcionado para outra posição, através dessas barreiras naturais. Como em voos próximos da Cordilheira dos Andes e em locais com a geografia parecida.

Como resultado isso pode gerar algumas turbulências, mas nada que seja realmente preocupante. Os pilotos e profissionais da aviação conhecem bem cada região onde ocorrem esses fenômenos e sempre que possível são evitadas, para garantir mais tranquilidade e segurança aos passageiros que estão a bordo.

Turbulência causada pelo vórtice de esteira de um avião

O rastro deixado pelos aviões durante os voos podem ser outro motivo pelo qual ocorrem as turbulências. Dependendo das aeronaves, quando são aviões maiores, o rastro deixado por essas “esteiras” se tornam mais perceptíveis em aviões menores.

É exatamente por isso que há um controle rigoroso no tráfego aéreo, garantindo assim a distância entre as aeronaves e também o intervalo de decolagem entre um voo e outro. Isso é ainda mais nítido em aeroportos com grande fluxo de voos, normalmente a espera entre um voo e outro se torna mais demorada.

O que os pilotos fazem na hora da turbulência?

Antes de embarcar em qualquer viagem aérea, o piloto Menno Kroon diz que há um estudo feito sobre as previsões de clima dos destinos, algo de praxe entre os pilotos e companhias aéreas. Analisando a tabela meteorológica é possível prever com antecedência quais serão as zonas com maior probabilidade de turbulência e mau tempo.

Os estudos climáticos são fundamentais no mundo da aviação. É ele quem dita parte das regras e mapeia qual será o cenário encontrado durante os voos, fator de extrema importância para garantir o sossego de todos.

Durante os voos, os pilotos também são orientados a evitar qualquer turbulência que possam ver de dentro da cabine de comando ou mesmo nas tabelas e radares meteorológicos. O contato com o controle de tráfego aéreo, feito com a equipe que está em terra, também auxiliam nessas soluções práticas.

Turbulência inevitável

Apesar dos estudos e avanços constantes no mundo da aviação, algumas vezes as turbulências são inevitáveis e os pilotos podem ser surpreendidos. E é nesse momento que a luz para colocar os cintos acende e é recomendado que todos permaneçam sentados. Essa é apenas uma medida de segurança para tranquilizar todos e evitar um desespero coletivo e desnecessário.

Além disso, vale ressaltar que os aviões são considerados o segundo meio de transporte mais seguro do mundo, perdendo apenas para os elevadores. Curioso, né? Apesar desse estudo causar intriga, é inevitável lembrar que há mais probabilidade de ocorrer acidentes de ônibus ou carro do que se comparado as viagens de avião.

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